Recentemente, o técnico Roger Machado revisitou um capítulo marcante e, para ele, desafiador de sua carreira: sua curta passagem pelo comando do São Paulo Futebol Clube. Em uma entrevista reveladora à revista Placar, o treinador fez um desabafo contundente, abordando as dificuldades inerentes à brevidade de sua estadia no Morumbi e a notória resistência que enfrentou desde o primeiro dia de trabalho.
A Efêmera Jornada no Morumbi
Roger Machado permaneceu à frente do Tricolor paulista por um período exíguo de apenas dois meses. Para o técnico, a dimensão de seu tempo no clube foi o principal entrave para a consolidação de suas metodologias e a real avaliação de seu desempenho. Ele argumenta veementemente que um lapso tão reduzido é inerentemente insuficiente para que qualquer profissional consiga implementar uma nova filosofia de trabalho ou para que sua performance seja analisada de forma justa e completa. Machado expressou a convicção de que, com uma continuidade mínima, haveria um espaço considerável para o desenvolvimento e a evolução da equipe sob sua tutela.
O Peso da Rejeição Inicial
Além da limitação temporal, Roger Machado sublinhou que sua chegada ao São Paulo foi marcada por um ambiente de considerável oposição. O treinador relatou ter desembarcado no clube já confrontando uma "bastante rejeição", um cenário que ele atribui a fatores específicos. Um dos principais elementos apontados foi a profunda conexão e o carinho que a torcida são-paulina nutria pelo seu antecessor, Hernán Crespo. A saída de Crespo, que inclusive ocorreu enquanto a equipe liderava o Campeonato Brasileiro em determinado momento, gerou um sentimento de descontentamento e lealdade por parte dos torcedores, o que, na visão de Machado, dificultou a aceitação de um novo comandante.
O Cenário do Futebol e as Expectativas
Outro ponto crucial na análise de Roger sobre a resistência enfrentada foi a expectativa da torcida por um perfil específico de contratação, que não se alinhava com sua chegada. O técnico mencionou a crescente e cada vez mais forte presença de profissionais estrangeiros no futebol brasileiro como um pano de fundo que moldava as aspirações dos torcedores. Neste contexto, onde a preferência por técnicos de fora do país se acentuava, um treinador brasileiro como ele encontrava um obstáculo adicional na busca por aceitação, uma vez que parte da massa torcedora parecia desejar uma abordagem ou estilo diferente para o comando da equipe.
Um Legado de Frustração e Alerta
Ao refletir sobre sua experiência, Roger Machado demonstra que sua passagem pelo São Paulo foi interrompida prematuramente, antes que houvesse qualquer chance de se mensurar o verdadeiro potencial do trabalho que ele pretendia desenvolver. A soma do tempo escasso com a forte resistência inicial deixou uma marca profunda no técnico, que sintetiza o impacto daquele período com uma declaração carregada de emoção: "Não desejo que ninguém passe pela situação que passei." Essa frase encapsula a frustração e o desapontamento de um profissional que não teve as condições ideais para exercer seu ofício e ser plenamente avaliado.
Fonte: https://nacaotricolor.com